“A inteligência artificial redefine a aprendizagem, transformando o acesso ao conhecimento em uma ferramenta poderosa — ou em uma armadilha. Enquanto o mundo parece se encaminhar para crises existenciais, a IA surge como farol de esperança ou como espelho de nossos medos mais profundos. Como aprender, então, em meio a tantas incertezas?”
O parágrafo acima foi escrito por uma LLM, popularmente conhecida como IA. Eu usei a Mistral que já vem “embutida” no meu navegador. Achei curioso que, além da importância que ela dá a si própria “… a IA surge como farol de esperança ou como espelho de nossos medos mais profundos.” Ler esse paragrafo me deu uma certa angústia. Será que no futuro ainda teremos vontade de aprender coisas novas, ou estamos caminhando para um mundo cada vez mais gameficado? Em que o aprender se transformará em um achieviment. E se for diferente disso será perda de tempo?
EU QUERO APRENDER SOBRE O ASSUNTO
Há alguns meses, depois de fracassar miserávelmente no desenvolvimento de um simples jogo, decidi voltar a estudar o assunto de forma séria. Eu ia me arriscar em um bacharel, mas me contentei com um curso livre de 6 meses sobre o básico de desenvolvimento de jogos.
A primeira matéria foi sobre o básico de lógica de programação. Desde a primeira aula, o bendito professor dava um jeito de direcionar o assunto para inteligência artificial. “Existem as variáveis booleanas… e eu, apesar de professor, também sou aluno, pois estou estudando Python por causa da IA, e você também deve ficar ligado no tema porque blá, blá, blá….”
Por sorte, os professores seguintes são mais sérios, e praticamente nem mencionam as IAs. E eu acho isso muito bom. Não digo que não devemos aprender sobre elas no futuro, mas que, para aprender a cabeça deve doer um pouco. Tem que aprender a fazer conta adição usando os dedos para depois usar a calculadora.
Se não for assim, para que aprender alguma coisa nova se eu posso usar IA e gastar o resto do dia assistindo vídeos curtos?
Enquanto estou escrevendo esse texto, a minha cabeça está: não estou gostando para onde esse texto está indo, estou perdendo o fio da meada, me perdi no assunto, deixei a ideia central lá atrás, como eu faço para traze-la para cá…
Porque cair na comodidade é fácil. E a IA é irresistível, pois o que “eu quero” ela resolve. Basta eu lançar um prompt safado numa LLM fraca como a mistral, e ela cospe no final a mediocridade que eu, os leitores, o algoritmo e as redes queremos. A todo momento nossos cérebros são treinados para aceitar a mediocridade como achieviment (ponto de chegada).
Estamos mais preocupados em sermos notados do que notar o mundo a nossa volta. E para ser notado você deve postar em alguma rede, nem que seja só para os seus amigos. E a máquina está o tempo inteiro com fome, e ela demanda criação. Não importa que esteja cansado, sem vontade, sem ideias. Apenas faça o post diário. Mesmo que seja ruim. Quando os posts bons vierem, eles esconderão os medíocres que você fez.
Aprender está a cada dia que passa, mais parecido com dar partida em carro velho. As vezes vai no jeito, na força, mas, depois que liga, não para mais.
TEM QUE TRABALHAR ATÉ NO FIM DOS TEMPOS
Na ultima newsletter mencionei que estava jogando Death Stranding 2. Já terminei toda a campanha e um punhado de sidequests, só falta algumas missões mais complicadinhas. Mas nesse jogo, o meu maior inimigo sou eu mesmo. Mesmo quando decido que vou fazer uma determinada missão, fico rodando horas pelo mapa fazendo entrega de pacote perdido, consertando estradas, reparando estruturas que estão se deteriorando.
A ideia do jogo é muito interessante. E desde o primeiro ele deixa claro que o fim da humanidade vai acontecer, e mesmo assim você passa horas recuperando estradas que vão ruir daqui a algum tempo.
E esse negocio de trabalhar enquanto o mundo acaba chega ser até engraçado. Pois está tudo indo para o buraco, mas ainda tem gente abrindo empresas. Não só isso: eles guardam as documentações dessas empresas mesmo com o mundo deteriorando. O Neo liberalismo é tão forte, que os entregadores (Portadores) fazem as entregas, e ao invés de dinheiro, eles ganham likes. Será que no DS3 o Kojima dirá que os likes são um tipo de criptomoeda e os portadores são bilionários?
A única vantagem no mundo de Death Stranding é que de fome você não morre. Os portadores tem chás e minhocas (criptobiontes) a vontade. Isso claro, depois de se conectar a rede quiral, se desfazer da sua privacidade, você terá acesso a esses benefícios.
E NO TEMPO LIVRE
Leitura: início do livro três da Ilíada;
Série: inicio da segunda temporada de Person of Interest;
Game: os de sempre, DS2, Apex (tô tentando parar), Uncharted 2 e, no meio disso, um pouco de Marathon.
Até a próxima.
Nota: na ultima newsletter falei que as de quarta-feira seriam pagas. Acabei desistindo, e a única cobrança que faço é de seu tempo.